quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Não misturo as coisas


Fiquei sinceramente triste com o câncer diagnosticado na laringe do ex-presidente Lula da Silva. Espero que ele se recupere plenamente e siga sua vida pessoal e familiar. É desventura que pode acontecer a qualquer pessoa e, numa hora assim, o único sentimento que cabe é a solidariedade.
Não faço coro com os que declaram, nas mídias sociais, o desejo de vê-lo pior. Assim como condeno aqueles que procuram tirar partido político de uma doença grave como essa.
Não preciso retirar um milímetro sequer das minhas restrições ao comportamento público de Lula. Sou seu adversário e continuarei a sê-lo pelos tempos afora. Mas não posso e não devo agir como o PT, no episódio Mario Covas. Militantes desse partido chegaram a agredi-lo, já enfermo do mesmo mal que atacou Lula, à porta da Secretaria de Educação de São Paulo.
Agrediam ali, a um tempo, o governador do estado e um homem que vivia os momentos finais de sua vida.
Com que bravura, aliás, Covas se portou naquele instante. A mesma do tribuno que, liderando o MDB em 1968, convenceu a Câmara dos Deputados a não se submeter à exigência da ditadura militar pela cassação de Marcio Moreira Alves.
Combato o Lula que apadrinha corruptos, conspira contra a liberdade de imprensa, revela-se rancoroso, avaliza ditadores mundo afora. Combato o homem que não teve coragem de usar sua imensa popularidade para retomar o ciclo das reformas estruturais, aproveitando os tempos de inigualável bonança econômica internacional.
Combato o líder que preferiu o aplauso fácil ao lugar de honra na História. O presidente que contribuiu para a piora de todas as instituições brasileiras.
Não combato o ser humano. A este, desejo sorte e completo restabelecimento.

Arthur Virgílio é diplomata e foi líder do PSDB no Senado

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