quarta-feira, 2 de julho de 2014

Correria no Planalto para devolver o DNIT aos corruptos.

Correria no Planalto para devolver o DNIT aos corruptos. General foi demitido ontem e PR exige indicar substituto até sexta ou tira tempo de TV da Dilma.

O mensaleiro Valdemar da Costa Neto, presidente de honra do PR, negocia a indicação do novo operador do DNIT direto da Papuda.

A presidente Dilma Rousseff vai ceder mais do que o comando do Ministério dos Transportes para garantir o apoio do PR à sua reeleição. Ela também substituirá o general Jorge Fraxe da diretoria geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), como quer o partido. Fraxe entregou o cargo nesta terça-feira para o ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes). O discurso no Palácio do Planalto, no entanto, é que o general já queria deixar o cargo e precisa fazer uma cirurgia.

O PR quer emplacar na direção geral do Dnit Handerson Cabral Ribeiro, ex-superintendente do órgão em Goiás e no Distrito Federal e atual superintendente de licitações da Valec, estatal também ligada ao Ministério dos Transportes. Apesar de ter aprovado na segunda-feira o apoio à reeleição de Dilma, o partido já fez chegar à presidente que isso pode ser revisto caso o nome do sucessor de Fraxe não agrade à sigla. Isso porque o PR tem até o próximo sábado para homologar a ata da reunião de sua Executiva Nacional no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Dnit é a autarquia responsável pela maior parte do orçamento do Ministério dos Transportes e também do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), menina dos olhos da presidente Dilma. O governo teme que uma troca ruidosa na direção do órgão prejudique o ritmo de desembolsos do Dnit, que recentemente voltou a rondar a marca de R$ 1 bilhão por mês.

NOME DO NOVO GESTOR TERÁ QUE SER APROVADO PELO SENADO

Depois de ser nomeado pela presidente Dilma Rousseff, o novo diretor-geral do Dnit ainda tem que ser sabatinado pela Comissão de Infraestrutura do Senado e aprovado pelo plenário da Casa. A favor de Handerson Ribeiro, há o fato de ele ser funcionário concursado do Ministério do Planejamento no cargo de analista de infraestrutura. O governo pode argumentar que trata-se de uma “indicação técnica”.

Atual diretor-geral do Dnit, o general Fraxe assumiu o cargo após a “faxina ética” promovida por Dilma em seu primeiro ano de governo. Ele substituiu Luiz Antônio Pagot, filiado ao PR, que foi afastado em meio a um escândalo de corrupção. Junto com Pagot caiu o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que agora, na presidência do PR, comandou a pressão pela queda de Fraxe e também do ministro César Borges, substituído na semana passada por Paulo Sérgio Passos.

Até a semana passada, Passos ocupava a presidência da Empresa de Projetos e Logística. Na dança das cadeiras do período pré-eleitoral, o nome mais cotado para assumir a EPL é o de Josias Sampaio Cavalcante Jr.. Ele esteve à frente da Valec na última vez em que Passos foi ministro dos Transportes. Questionada no final da tarde de ontem sobre a troca no Dnit, Dilma negou:

— Você só me pergunta coisa que não acontece.

Com essas concessões, Dilma tenta garantir um minuto do PR em cada bloco do horário eleitoral. Na semana passada, ao dar posse aos novos ministros — César Borges foi transferido para a Secretaria de Portos da Presidência da República, que tem status de ministério —, Dilma tentou minimizar as trocas, afirmando que estava fazendo “uma pequena reorganização no time”.

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